Cidade do México resgata tradição muralista com festival de arte urbana

Grafite feito no prédio do jornal "El Universal" faz parte de festival na Cidade do México

Omar Torres/France Presse
Grafite feito no prédio do jornal “El Universal” faz parte de festival na Cidade do México

Alguns dos edifícios mais emblemáticos da capital do México servem de base para chamativos e originais grafites de artistas locais, americanos e europeus.

Em pleno centro histórico, as paredes do prédio do jornal “El Universal”, um dos mais antigos da cidade, podem exemplificar essa tradição com uma obra do duo alemão Herakut e do ucraniano Interesni Kazni, que pintam a vários metros do chão.

Com máscaras nos rostos e spray nas mãos, os artistas sobem em guindastes para realizar suas pinturas. Desde a última semana, quando começou o festival de arte urbana All City Canvas, os artistas não param de realizar suas pinturas nem para descansar, já que a ideia é estar com tudo pronto até o final do evento, que acaba na próxima sexta.

Procedentes das cidades alemãs de Frankfurt e Erfurt, os artistas Hera e Akut tratam de modelar estados mentais, intuições e formas de ver sua geração; enquanto os ucranianos AEC e Waone, influenciados pela ciência e a religião, exploram a fantasia dessa temática com cores brilhantes e uma ampla escala de cores.

Em entrevista à agência Efe, Roberto Shimizu, arquiteto e cofundador do festival, afirmou que a arte urbana acabou se tornando algo maior que o grafite e se transformou em um dos movimentos mais importantes deste século.

“Achamos que obviamente o grafite é parte da técnica, do movimento, mas estamos falando de uma nova vertente, um novo muralismo, uma evolução da arte pública”, declarou.

De acordo com o arquiteto, que como o resto dos organizadores não passa dos 30 anos, o festival possui o objetivo de evidenciar a riqueza cultural que o México possui, assim como sua bagagem histórica dentro do mundo da arte, dos aspectos folclóricos e de suas tradições.

O objetivo, assegurou Shimizu, é mostrar ao mundo que o México “pode fazer festivais de qualidade” e “coisas incríveis”.

A poucos metros do Monumento à Revolução, o artista mexicano Saner e o americano El Mac pintam um fantástico mural nas paredes do hotel Reforma Avenue, um edifício com mais de 30 anos e que foi um dos mais luxuosos da cidade. O edifício, inclusive, é um dos “sobreviventes” do devastador terremoto que sacudiu a capital mexicana em 1985.

“Este festival pretende transmitir que a arte pode transformar cidades e que esta é uma cidade para se caminhar e interagir”, explicou à agência Efe Andrea Ruiz Sánchez, coordenadora do evento.

O percurso, que permanecerá aberto nos próximos seis meses, continua em frente ao majestoso Palácio de Belas Artes, onde o português Vhils trabalha no chamado edifício Dolores – situado na entrada do bairro chinês, fundado nos anos 20 do século passado.

Vhils é conhecido por ser um dos artistas que mais explora a inovação de novas técnicas, como o uso de cinzéis e brocas para esculpir suas peças na parede.

“Queríamos mostrar aos artistas mexicanos o que está rolando em outros países, mas também representar aos artistas daqui”e mostrar ao mundo seu talento”, completou Andrea.

O edifício Chihuahua, em Tlatelolco; o hotel W México City, em Polanco; o hotel Praça Madri, muito próximo à Zona Rosa, e o edifício Paraguai, situado no coração do bairro popular da Lagunilla, completam o percurso andarilho do festival, que também conta com os trabalhos dos artistas espanhóis Aryz e Escif.

“O muralismo no México é importantíssimo, mas buscávamos fazer um novo muralismo, organizado e selecionado por nós, jovens mexicanos. A ideia é voltar a pôr o México como centro de arte, já que somos a cidade com mais museus do mundo. Agora, estamos tirando a arte dos museus e levando elas para as ruas”, ressaltou Ruiz.

Além de ilustrar simbólicos edifícios da cidade, o festival também contará com conferências e exposições ao longo do todo o mês de maio, tudo isso canalizado através das três vertentes em que se dividem as atividades: paredes, palavras e peças.

“A arte, que muitas vezes passa despercebida, também pode ser capaz de transformar e modificar a forma de pensar das pessoas”, completou a coordenadora do festival.

from Folha

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