FRONT. no ar!

Assista aqui o novo trabalho do coletivo Anticorpos – Investigações em dança, dentro da II Mostra Multi da UFOP.

FRONT. – novo trabalho do coletivo Anticorpos

Em outubro estreia a primeira aventura “cinematográfica” do coletivo Anticorpos. Em uma tentativa “vintage” ressuscitamos o formato média-metragem e lançaremos nosso primeiro filme intitulado FRONT., em formato virtual, dentro da II Mostra Multi da Universidade Federal de Ouro Preto. Atravessados pela imagem trazida por Tatsumi Hijikata de que dançarinos são “armas letais que sonham”, propomos aqui um percurso imagético no processo de construção de 9 dançarines que se prepararam para suas batalhas diárias. Valendo-se do processo de criação dramatúrgica das “cinco peles” desenvolvido pelo professor Éden Peretta, a artista Vina Amorim conduziu o processo criativo no qual as dançarines investigaram suas próprias peles e criaram suas dramaturgias íntimas, sempre atravessadas pela constatação de que, no contexto obscuro em que vivemos, todos os dias são dias de luta: nosso front de batalha cotidiana edificado nas fronteiras de nossos corpos. Qual é a sua batalha?

Confira mais detalhes aqui

Contágio (2020)

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Em meio à clausura da pandemia e diante das reverberações de seu último projeto “Quarentena – quando a espera se torna uma ação”, o coletivo Anticorpos propõe um desdobramento de sua proposta, no qual incentiva a troca entre artistas que também se sentiram estimuladxs, assim como nós, a continuarem seus processos criativos.
O projeto “Contágio” convoca todxs xs interessadxs a produzirem e compartilharem em suas redes pequenos vídeo-poemas capazes de fissurar o cotidiano durante a suspensão social pela qual passamos. Os vídeos devem ter 40 segundos de duração, em formato 1×1, e serem inspirados livre e poeticamente em um texto, uma frase ou um pensamento que te inquiete ou movimente. Crie seu vídeo, identifique o texto referencial, marque com #contagioanticorpos e compartilhe em suas redes. Em seguida, convide/contagie mais três pessoas com a mesma proposta. Sejamos anticorpos, investigando sensações e possibilidades de imunização dessa nossa sociedade cada vez mais doente.
#crieanticorpos #contagioanticorpos #quarentenaanticorpos

QUARENTENA

quarentena insta

Dez artistas da dança impedido/as de continuarem seus processos de criação na sala de trabalho devido à quarentena vivida pela/os brasileira/os com a chegada da pandemia gerada pelo COVID-19, decidem continuar suas pesquisas e produções à distância, tentando criar assim possibilidades de transformar a espera em uma ação. Livremente inspirado nos cordéis da série Pandemia da editora n-1 edições, o projeto QUARENTENA propõe criar 40 vídeos-poema de 40 segundos cada, compartilhando as reverberações artísticas de ambas as pandemias que nos atravessam neste momento.

Acompanhem os vídeos diariamente aqui em nossa página ou diretamente em nosso instagram.

Vento Daruma – Homenagem a Yoshito Ohno

cartaz vento daruma impressão
APRESENTAÇÃO VENTO DARUMA
  “Em Akita, ou melhor, em todo o distrito de Tohoku, há algo chamado ‘vento daruma’. É melhor eu explicar isso um pouco. Às vezes, quando sopra do norte, a neve gira e o vento é simplesmente inacreditável. Então uma pessoa de Tohoku pode ser enrolada pelo vento que sopra da trilha entre os arrozais até a porta da frente e, vestida com o vento, tornar-se um vento daruma parada em pé na entrada. O vento daruma entra na antessala, e isso já é butô” (HIJIKATA, in TDR, 44.1, 2000, p. 71).
Em março de 2013, o mestre de butô Yoshito Ohno nos deu a honra de recebê-lo em um evento em Ouro Preto. Wind of Times, evento organizado em parceria com a produtora paulistana Prod.Art, trouxe pela primeira vez Yoshito Ohno para o interior de Minas, onde pôde ministrar uma oficina e apresentar seu espetáculo em Ouro Preto e Tiradentes. Exatamente 7 anos depois, em 8 de janeiro de 2020, Yoshito assumiu de vez a imaterialidade de sua dança e decidiu abdicar da matéria deste mundo. Gostaríamos, portanto, de homenagear o seu legado e sua memória neste ano de seu recente falecimento. Surge assim “Vento Daruma – homenagem a Yoshito Ohno”, um encontro entre pesquisadorxs e artistas que visam compartilhar e discutir seus trabalhos inspirados pela dança butô, a ser realizado na cidade de Ouro Preto (MG), de 26 a 29 de março de 2020.
Daruma, no Japão, é um símbolo de persistência e força, representado por um boneco sem membros e sem pupilas. Seu nome deriva da abreviação de Bodhidharma, o mítico fundador da tradição Zen budista. Yoshito era um dos últimos artistas da primeira geração da dança butô. O vazio material deixado por sua partida nos inspira a pensar no movimento, na força e na persistência do legado a nós deixado por artistas como ele, Kazuo Ohno e Tatsumi Hijikata.
Neste sentido, gostaríamos de convidar a todxs para celebrar a força da ausência. Celebrar a persistência e as ressignificações que os ensinamentos desses grandes mestres deixaram espalhados pelo mundo. Gostaríamos de convidar a todxs xs interessadxs a trazerem suas inquietações para este nosso evento, o qual terá uma estrutura bem aberta visando possibilitar a troca e o diálogo entre xs participantes, privilegiando espetáculos, performances, rodas de conversa e debates, ao invés das tradicionais conferências e palestras.
Nossa intenção também é a de reunirmos xs interessadxs na organização de um grande evento em março de 2021, no aniversário de Tatsumi Hijikata, um dos criadores da dança butô, para refletirmos sobre as reverberações, mestiçagens e atualizações desta dança.
O evento é hospedado pelo Departamento de Artes Cênicas e pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal de Ouro Preto, e organizado pelo coletivo Anticorpos – investigações em dança (DEART/UFOP) e pelo grupo Cuerpo Fluctuante de Cuzco. A produção executiva está a cargo do trabalho voluntário dos integrantes do coletivo Anticorpos e de outras pessoas afins. Neste sentido, a concretização do evento não seria possível sem o inestimável apoio dxs comerciantes e empresárixs locais, os quais figuram em  nossas redes  sociais e aos quais ficam aqui registrados os nossos mais sinceros agradecimentos.
Arigatô!
Mais informações

Sondagens sobre corpos, sob a pele e através de configurações imprevistas

Veja a aqui o texto escrito pelos críticos Clóvis Domingos e  Mário Rosa, sobre o espetáculo Undercurrent – do nervo à unha, que esteve em cartaz na FUNARTE de Belo Horizonte (MG) de 24 de maio à 03 de junho de 2018.

 

 

O corpo tem sido questão central da filosofia e das artes contemporâneas já faz algum tempo. O que pode o corpo? A conhecida pergunta de Espinosa tem nos ajudado a investigar os modos de ação e de existência do sujeito moderno – sujeito esse mapeado, esquadrinhado, repleto de palavras, reiterado nas normas e instituído nos campos das subjetividades e da vida pública – assim como nos leva a pensar nas possibilidades de fissuras no corpo e nas relações que se abram para as multiplicidades que habitam as pessoas e o mundo em encontros imprevistos com forças que não cessam de nos cobrar outros jogos de pensar e de criar que investiguem a linguagem, reconheçam sua origem ficcional e sua tessitura na história. Jogos de pensar e criar que coloquem o corpo no centro da cena com as materialidades que o faz existência: tempo, memórias, imagens, carnalidades e contatos.

No interesse investigativo dessa matéria fina há quem se proponha sondar o que se encontra fora da molaridade constitutiva do sujeito voltando-se para zonas de virtualidades que reorientam questões das políticas dos corpos e dos afetos.

O que pode o corpo do esgotado? O que pode o corpo aberto para outras inscrições e narrativas? O que pode o corpo quando se fragiliza em sua organicidade eficiente e lucrativa? O que pode o corpo quando não se deixa fechar para as multiplicidades do que se pode experimentar ser? O que pode o corpo quando se permite vivenciar transversalidades e aberturas?

Muitas perguntas e tentativas de formulações de ideias surgem com o trabalho Undercurrent – do nervo à unha, do Grupo Anticorpos, apresentado em Belo Horizonte[1].

Nesse espetáculo que aproxima dança contemporânea, técnicas de contato improvisação e dança butô, percebemos intenções de ativações e deslocamentos de sentidos nas instaurações da presença dos corpos em variações, com atenção rigorosa às evocações de temporalidades e aos fluxos de energia emanados das relações e dos movimentos criados em cena.

Estes fluxos estão presentes num campo de composição que frequentemente expõe a materialidade do corpo e as forças em conflito que o habita, como na imagem inicial do espetáculo que apresenta um rosto radiografado que ri e canta. Neste caso, o referencial de uma organicidade do corpo captada na sua ossatura em raios-X é animado por algo que diz respeito à estranheza de um singular, ou melhor, ao estranho familiar que é apresentado como a dizer do que está sob a pele e que não pode ser esquadrinhado pelas formas científicas do saber. O que se reforça ali é um instigante princípio de exposição de forças que animam a vida no seu desassossego de errância, no seu incapturável do signo e é por aí que a proposta segue.

Segue numa conjugação de forças expressivas de corpos e imagens que nos trazem sensações do visível e do invisível em constituição de movimentos e formas que se avolumam e se metamorfoseiam, que se fragmentam e engendram o disforme, que se inserem no lusco-fusco e na sombra, que se manifestam na singularidade de estados de dissolução e presença, assim como inscrevem nos corpos isolados e em contato, figurações de matérias germinativas que rompem o contorno humano.

Nesse movimento, algo das forças de um agenciamento da terra é ativado expondo através dos corpos dos jovens dançarinos a coexistência de muitos tempos. O real e o virtual ali se desenham de um modo que nos causa estranheza, distância, curiosidade e atração. Tempos simultâneos, podemos dizer: do real registrado/capturado em imagens aos corpos inscritos no tempo de múltiplas memórias e devires.  Isso é realizado de forma interessante pela operação das partituras coreográficas criadas em consonância com os recursos audiovisuais e a iluminação. O que se cria tem algo de multiplicação, fantasmagoria, povoamentos, embates e variações.

Que ronda e varia com os flashes: os corpos.

Que parece brotar da terra: um corpo.

Que faz da pele e musculatura a massa que se manipula a partir das forças que entram em contato: corpos.

Que duplica, que se esconde, que confunde, que evade… A utilização em cena de um tecido-tela acaba por instaurar um límen no corpo do espaço cênico, jogando entre o dentro e o fora, entre presença carnal e imagem projetada, luz e sombra, corpo vivo manifesto e matéria morta numa coreografia que opera como radiografia trêmula e imprecisa que mais do que revela e fixa, cria zonas de indistinção.

Desta experiência, do sob e sobre a pele irredutível aos ordenamentos normativos do mundo, há uma positividade de uma nova política. E aí, algo de anticorpo se apresenta como evidência de combate, pois as imagens radiografadas, ao mesmo tempo em que expõem os fluxos que habitam a carne, também apresentam forças que orientam, ordenam e violentam os órgãos e os corpos. E é, nesse aspecto, muito interessante o movimento de dança na projeção da imagem de uma mão em raios-X entre a captura e as vazantes dos corpos em luta. Um embate possível entre o biopoder, a necropolítica e modos de resistência que se afirmam pela experiência de vivência naquilo que se entrevê como exuberância dos corpos-sem-órgãos e como potência de uma vida. Como resistir numa era farmacopornográfica na qual vivemos, segundo Paul Preciado, ao se referir às intervenções (ou serão feridas?) provenientes dos discursos e procedimentos médicos, midiáticos e mercadológicos sob nossos corpos e existências?

E nessa vida que da forma humana se abre para as fissuras e dissoluções vemos também em cena algo que se aproxima daquilo que se insinua como um devir animal, presente em cena pela composição de forças no corpo e pelas imagens e sonoridades criadas. Novamente, o irredutível, a virtualidade, o germinativo integrado aos movimentos que sugerem uma articulação entre ritualidade pagã e a força recalcada das pulsões.

A maneira como esta experiência de dança nos chega afirma a política complexa das afecções nos seus movimentos, sinuosidades, bloqueios, silêncios e horizontes. Esse texto crítico mesmo, como uma sondagem do que resta e também do que nos escapa dessa experiência intensa com um espetáculo que mais se ancora no campo da pré-linguagem, nos convidando a habitar um entre-lugar entre sensação e discurso.

O “o que pode o corpo” retorna para pensarmos nas possibilidades de existências e nas inscrições desejadas ou impostas a esta matéria frágil, forte e mutante. Talvez como possibilidade de intuirmos que uma forma de humano encontra-se no ultrapassado do seu limite e que nos cabe, mais do que entender, estar de corpo naquilo que foge ao império da razão como se alimentássemos a urgência de um porvir que se associasse por novas formas e encontros, por abertura ao mistério das coisas, pela erótica de um devir mundo naquilo que nos faz existir: campo que se configura e desconfigura seguindo as sutis e complexas redes de articulações ecológicas.

Espetáculo assistido em 31 de maio de 2018 na Funarte MG.

Ficha técnica:

Dança: Daniela Mara, Danilo Felisberto, Diego Abegão, Lucas Rodrigues, Pan Ribeiro e Vinícius Amorim.

Luz: Daniele Viola e Laura Reis.

Direção: Éden Peretta.

Fotos: Biel Machado.

 

[1] Espetáculo esteve em cartaz na FUNARTE MG nos dias 24, 25, 26, 27 e 31 de maio e 01, 02 e 03 de junho.

Original no endereço:

http://www.horizontedacena.com/sondagens-sobre-corpos-sob-a-pele-e-atraves-de-configuracoes-imprevistas/#_ftn1

Vaquinha para Portugal! Apoie a ida do Anticorpos

Ajude-nos a ir para Portugal apresentar nosso espetáculo Undercurrent – do nervo à unha no Colóquio Performance e Intimidade, na Universidade do Minho, bem como diversas outras performances no Festival Noc Noc Guimarães em outubro. Ajude a arte de Minas Gerais a rodar o mundo!

Clique aqui

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Publicado o livro Corpolítico: corpo e política nas artes da presença

Capa para Corpolítico: Corpo e Política nas Artes da Presença

Confira aqui o PDF com o ebook publicado online pela editora UFOP.

 

Organizadores
Eden Silva Peretta
Berilo Luigi Deiró Nosella
Sinopse

O Simpósio H#1 – CORPOLÍTICO: corpo e política nas artes da presença, ocorrido em março de 2013 na cidade de Ouro Preto (MG), e proposto pelo grupo de pesquisa (CNPq) “Híbrida – poéticas híbridas da cena contemporânea” do Departamento de Artes Cênicas da UFOP, visou problematizar a partir de um olhar multidisciplinar a dimensão política inerente às artes da cena, potencializada pela presença corpórea – atual ou virtual – do artista. Para tanto foram organizadas mesas de debate composta por docentes da Ufop e convidados externos, entremeadas por espetáculos de teatro e dança, bem como por videoinstalações e intervenções performáticas no espaço urbano da cidade de Ouro Preto. A compilação dos presentes textos visa assim preservar a memória viva do evento, organizado também em torno da presença no Brasil do dançarino Butô Yoshito Ohno, em ocasião do projeto Winds of Times, ampliando e difundindo assim algumas reflexões vividas naquele encontro. O evento contou com o apoio da Reitoria da Ufop e da Prefeitura Municipal de Ouro Preto.